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Bancos, inteligência artificial e meio ambiente: o que esteve na pauta do SXSW 2023?

É uma data incontornável no calendário de qualquer setor que lide com arte, criatividade, inovação e comunicação. Durante pouco mais de uma semana a cada ano, o South by Southwest transforma a cidade norte-americana de Austin, no Texas, no principal polo de shows, debates, lançamentos e espetáculos do mundo.

Mas, além do viés artístico, o SXSW — como seu nome é abreviado — é um importante espaço para marcas e empresas apresentarem projetos e novas visões sobre seus negócios.

E o que esteve em pauta em 2023? Impossível começar a falar sobre a edição deste ano sem falar dos bancos. Mas, se uma parte dos participantes do setor de startups de tecnologia estava distraída com a crise do Silicon Valley Bank, para a audiência brasileira, o destaque foi outro, e muito mais positivo: pela primeira vez, uma companhia daqui foi patrocinadora oficial do evento. O Banco Itaú, em um primeiro ano de um contrato de mais duas edições.

De acordo com o superintendente de Marketing Institucional da empresa, Renato Haramura, a ação foi uma pedra fundamental da plataforma de inovação do banco, para democratizar o acesso a esses avanços para empreendedores.

Mas o Itaú também simbolizou a continuidade da forte presença de brasileiros no festival. Eles estiveram apenas 500 ingressos atrás da segunda delegação, a dos ingleses – em 2019, os brasileiros ocuparam o segundo lugar, atrás somente do público local, com 1.600 ingressos. Apesar da perda de espaço no ranking, o número cresceu em 2023, e mais de 2 mil brasileiros visitaram o festival.

Além disso, 22 painéis do evento receberam participantes do Brasil, a exemplo de Paula Englert (Box1824), que apresentou “How to Decode Culture to Build a Better Future” (Como decodificar a cultura para construir um futuro melhor), junto de Patricia Muratori (YouTube Brasil) e Talita Andrade (Michelob Ultra).

Em meio às apresentações de música, comédia, cinema e toda forma possível de arte, a influência das plataformas de inteligência artificial (IA) na maneira como iremos nos comunicar e interagir com tecnologia daqui para o futuro também foi tônica do SXSW. Leia aqui sobre o ChatGPT, como ele funciona e como ferramentas como ele podem virar uma ferramenta definitiva para companhias.

E ainda que regulações devam ser estabelecidas para coibir excessos no uso desse tipo de tecnologia, avanços positivos também foram apresentados.

Um dos destaques veio da Unilever, dona de marcas como Hellman’s, Dove, Knorr, Rexona, AXE, Ben & Jerry’s, OMO, Comfort, entre outras que não saem da casa de muita gente. Samantha Samaras, vice-presidente global de Ciência e Tecnologia para Beleza, Bem-Estar e Personal Care mostrou como a IA tem permitido insights inéditos no desenvolvimento de produtos.

“Com a inteligência artificial, podemos descobrir mais do que o cérebro humano poderia possivelmente compreender. As possibilidades são realmente incríveis. Começamos a entender de forma profunda e fundamental exatamente como uma combinação única de fatores — desde genética até estilo de vida e meio ambiente — pode causar algumas das condições mais comuns que impactam nossa saúde e bem-estar”, disse em sua apresentação.

“Da pele seca às gengivas inflamadas, cheiro corporal ou espinhas. Só porque tudo isso são coisas normais, não significa que têm uma causa ou cura simples. A IA está nos ajudando a extrair visões e hipóteses testáveis ​​de dados complexos, sobrepostos e de alta dimensão.”

A urgência do meio ambiente

Um evento com tamanha pluralidade trouxe outros tópicos cruciais para imaginar o futuro, e a urgência de ações contra a crise climática esteve presente de maneira intensa. Ela apareceu na própria militância e engajamento ambiental, mas também nos meios de comunicação, nos esportes e no design. Tudo isso em prol da imaginação de um futuro mais inteligente, colaborativo e sustentável.

Entre os destaques estiveram painéis como “Can Plastic-Eating Enzymes Save our Planet” (em tradução livre, “Enzimas comedoras de plástico podem salvar nosso planeta?”), com Hal Alper (Universidade do Texas), que discutiu como seria possível evoluir da reciclagem tradicional – que requer muita energia e acaba criando, muitas vezes, mais poluição – para outras alternativas. Em “Life on a Reforested Planet” (“A vida em um Planeta reflorestado”), especialistas debateram como a possível regeneração das florestas do planeta poderia mudar a existência humana até 2050.

O futuro da Webb

Aliás, imaginar um futuro possível é tarefa de uma das apresentações mais concorridas e tradicionais do SXSW, o painel da escritora e futurista Amy Webb, aguardado a cada edição.

A partir das mudanças causadas pela pandemia de Covid-19, Webb traçou um cenário de incerteza. “A pandemia fez com que nos sentíssemos sobrecarregados, surgiram tempos incertos nos quais nós procuramos aquilo que é familiar, e que traz resultados confortáveis. Mas ver o mundo desta maneira revela uma perspectiva estreita.” Para Webb, um dos exercícios para prever alternativas para o amanhã é buscar as convergências dos hábitos e interesses do agora a partir de uma perspectiva mais ampla, e ela o fez retomando o que conhecemos da Internet desde os anos 1990.

“Mas essa Internet não existe mais. Demos adeus ao MySpace, o iTunes e o eBay como modelo. Os dados se tornaram monetizáveis e, nos anos 2000, vieram os motores de busca [como o Google, mas também à época o Yahoo e o Cadê, no Brasil], e depois, o Reddit, a Wikipedia e o YouTube”, momento no qual a produção de conteúdo pelos usuários explodiu.

“A Internet que vem aí a partir das IAs não é aquela dos anos 1990. Nos próximos dois ou três anos, essas inteligências artificiais irão interagir e evoluir junto com a Web3 mas, por enquanto, somente grandes empresas estão controlando isso”, disse.

Para a futurista, é necessário que se discuta o poder das inteligências artificiais, e o papel que artistas, criadores, comunicadores e desenvolvedores possuem para influenciar hábitos, discussões e decisões de grandes companhias. Tudo isso para que esse potencial seja utilizado de uma forma benéfica, centrada no ser humano, em prol do meio ambiente e no bem-estar das pessoas.

O SXSW 2023 durou pouco mais de uma semana, mas as discussões presentes no evento certamente são material para mais 365 dias de reflexão. Como esses temas se refletem no seu negócio?

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