O marketing sob medida é hoje fundamental para o crescimento da indústria automobilística

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O mundo está passando por mudanças radicais e a indústria automotiva também. Exemplos não faltam. A General Motors (GM) anunciou que até 2025 lançará 30 novos carros elétricos. De quebra, mudou seu logo. Já a FCA (Fiat/Chrysler/Jeep) anunciou o processo de fusão com a PSA (Peugeot/Citröen), criando mais uma gigante automotiva, a Stellantis. Ano passado, a fabricante chinesa BYD teve suas ações valorizadas em cerca de 400% em função de suas ações focadas em energias limpas e veículos elétricos. Já a Tesla, pioneira no segmento, deve enfrentar diversos concorrentes a partir deste ano.

Por isso, a adequação da comunicação dessa indústria, especialmente das empresas mais convencionais, é fundamental para sua competitividade. E daqui para frente, o limite é a tecnologia e de que forma as montadoras usam o marketing estratégico para se sobressaírem em um mercado altamente competitivo. Hoje, raramente uma compra é efetuada sem pesquisas na internet. Por isso, é impossível estabelecer um plano de marketing sem dar prioridade ao ambiente digital.

Por isso o marketing estratégico serve, especialmente, para estabelecer metas claras e alinhadas ao negócio em relação à reputação da empresa, experiência do cliente, posicionamento de mercado e, claro, vendas. É uma área central para qualquer empresa e, por isso, é preciso estabelecer um planejamento, com metas claras. Para abordar o assunto, MinutoMotor entrevistou Satye Inatomi (foto abaixo), sócia da Jahe Marketing, companhia especializada em aceleração de negócios por meio de estratégias e execução de marketing sob medida. Confira um resumo deste bate-papo com Satye, que é formada em Publicidade e Propaganda pela PUC Campinas, com MBA em Marketing pela FGV.

 

MinutoMotor – Uma gestão eficiente passa também pelo marketing estratégico?

Satye Inatomi – Com certeza. Um planejamento estratégico de marketing evita dispêndio de recursos em ações desnecessárias e ajuda na tomada de decisão, com foco no que de fato funciona para a necessidade da empresa. Isso impacta diretamente nas pessoas e na produtividade. Por exemplo, é possível estabelecer uma estratégia de vendas com base em atração de potenciais clientes por redes sociais. No entanto, dependendo do tipo de negócio, investir em presença em eventos pode dar mais resultados. E esse tipo de decisão impacta nas equipes e em seus treinamentos.

 

MM – No marketing estratégico há correções de rota? Criatividade e agilidade na tomada de decisões fazem parte deste processo?

Satye Inatomi – Todo planejamento estratégico é feito para testar ideias, mensurar, entender se funcionam de acordo com o objetivo e, em caso negativo, mudar de forma rápida. Então as correções na rota são parte do planejamento. Ter metas claras e planejadas ajuda, inclusive, na rapidez da tomada de decisão, porque há mais clareza do ponto em que a empresa quer chegar.

 

MM – A eletrificação aponta o futuro da indústria automotiva, mas como o marketing estratégico está inserido neste contexto? Criar infraestrutura, orientar a forma de investir e, é claro, projetar ganhos, lucro… você acredita que em breve a frota mundial de veículos será formada apenas modelos elétricos?

Satye Inatomi – É difícil dizer que em breve teremos apenas modelos elétricos, mas certamente é o futuro. As empresas deverão mudar todo o modelo de negócios, mas a demanda por fontes sustentáveis de energia é premente e essa adaptação deve acontecer. Do ponto de vista do Marketing, vemos uma grande oportunidade para que a indústria reformule seus valores e práticas sob o guarda-chuva da sustentabilidade. Importante dizer que o conceito não pode ser apenas escrito, ele deve perpassar a gestão, as práticas e ser um valor real das pessoas. O marketing só funciona em longo prazo se as mensagens e as práticas forem reais, não apenas um discurso vazio. Acho que estamos em uma era em que empresas, de todos os setores, estão aprendendo a investir em causas de impacto, financeiramente e do ponto de vista de gestão. Isso é uma grande transformação e deve guiar o marketing das montadoras que optarem por modificar sua produção e investir em carros elétricos.

 

MM – De que forma a pandemia impactou na maneira das pessoas realizarem suas compras?

Satye Inatomi – O que pudemos observar ao longo de 2020 é que a pandemia mostrou como muitas companhias subutilizavam seus canais digitais. Com as regras de lockdown e distanciamento social, muitos foram pegos de surpresa, e não sabiam como resolver o problema. Notamos neste período também um grande envolvimento das marcas em marketing humanizado, como forma de ter uma ligação emocional com o consumidor, além da relação de compra. Nesse cenário, o marketing estratégico se tornou ainda mais importante, para aumentar ou criar visibilidade. A pandemia escancarou a necessidade de mais serviços online, e funcionou como um catalisador para mudanças que já estavam acontecendo. Utilizar o online de forma mais estratégica se tornou algo urgente, com o desafio de investimentos cada vez mais limitados. Por isso, as ações precisam ser mais “cirúrgicas”, porque cada centavo deve ser muito bem empregado. O marketing digital em momentos de crise pode ajudar as empresas (de qualquer setor e porte) na geração de novos leads de vendas, entrar em novos mercados, manter ou até aumentar a participação de mercado, pois permite alta difusão da informação.

 

MMNo futuro próximo, você acredita que shopping centers e concessionárias de veículos sobreviverão apenas como centro de distribuição de mercadorias?

Satye Inatomi – Eu acredito que o cliente precisará ter uma experiência positiva contínua com a marca, que começa online e, possivelmente, termina off-line, dependendo do produto ou serviço. Então, as empresas deverão se relacionar com seus consumidores dentro do conceito do omnichannel. Isso quer dizer que é necessário estar presente em diversos canais e oferecer uma boa experiência em qualquer um deles, além de coerência nos preços. Os consumidores querem encontrar nas lojas físicas o mesmo preço da loja virtual. Não acredito que a interação presencial será totalmente desconsiderada, mas ela deverá estar integrada a canais online.

 

MM – Falando nisso, algumas montadoras já fazem vendas pela internet e entregam o veículo na casa do consumidor. Em tempos de pandemia, o marketing estratégico teve de ser acelerado para atender este tipo de demanda? Ou o marketing estratégico também pode ser atropelado pela necessidade de consumo?

Satye Inatomi – Quando o marketing tem um planejamento estratégico, dificilmente ele é atropelado pelo consumo. A estratégia serve para dar visão de longo prazo, necessidades do curto prazo e mensuração do que funciona ou não. As empresas que tinham uma estratégia de marketing elaborada certamente vêm sendo mais bem-sucedidas neste período de pandemia. Com certeza, todas as empresas tiveram de se adaptar ao novo cenário. Mas aquelas com proposito de marca mais bem delineado saíram na frente. O “atropelo” acontece quando não há planejamento.

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